Introdução

A história da República em Portugal, desde a sua implantação em 1911 até à atualidade, é marcada por profundas transformações políticas, sociais e económicas. Ao longo de mais de um século, o país viveu momentos de instabilidade, ditadura, revoluções e desenvolvimento democrático, moldando a identidade nacional e a sua posição no mundo.

Este site propõe-se a explorar essa jornada organizada pelos momentos mais marcantes da história republicana portuguesa. Desde a queda da monarquia até à democracia consolidada do século XXI, cada período revela desafios e conquistas que definiram o rumo de Portugal.

O Surgimento do Pensamento Republicano na Europa e os Países Pioneiros

 Durante os séculos XVIII e XIX, o pensamento republicano começou a ganhar força na Europa, impulsionado por ideais de liberdade, igualdade e autodeterminação. A Revolução Francesa (1789) foi um marco, derrubando a monarquia e instaurando a Primeira República em 1792. Outros países seguiram esse caminho antes de Portugal, como a Suíça, que consolidou seu regime republicano em 1848, e a França, que voltou a adotar a república em 1870 após a queda de Napoleão III. Estes movimentos influenciaram o avanço do republicanismo em Portugal.

A Crise na Monarquia e a Implantação da República 

 A Crise na Monarquia e a Implantação da República 
No início do século XX, Portugal atravessava uma grave crise política, económica e social. A monarquia estava fragilizada por sucessivas mudanças de governo, corrupção e dificuldades financeiras muito por culpa da monarquia por não conseguir modernizar a sociedade portuguesa e por não conseguir manter os interesses portugueses em Africa de ligar Angola a Moçambique para o Imperio Britânico que lançaram um ultimato a Portugal no ano de (1890) para Portugal desistir da ideia . O povo estava descontente, e os ideais republicanos ganhavam força. O momento mais dramático ocorreu em 1 de fevereiro de 1908, quando o rei D. Carlos I e o príncipe herdeiro, Luís Filipe, foram assassinados em Lisboa num atentado levado a cabo por revolucionários republicanos. Este evento desestabilizou ainda mais a monarquia, levando D. Manuel II ao trono por mais 2 anos (1908-1910), mas sem conseguir travar a ascensão do republicanismo. Em 5 de outubro de 1910, um movimento revolucionário culminou na queda da monarquia e na proclamação da Primeira República Portuguesa, iniciando uma nova era na história do país. 

Territórios propostos por D. Carlos na covenção de berlim de 1884-1885 conhecido como "Mapa cor de Rosa" que levou ao ultimato inglês de 1890
Territórios propostos por D. Carlos na covenção de berlim de 1884-1885 conhecido como "Mapa cor de Rosa" que levou ao ultimato inglês de 1890

Implementação dos Símbolos Nacionais (1911)

Com a proclamação da República, foi necessário substituir os símbolos monárquicos. Em 1911, o governo republicano definiu a nova bandeira nacional e hino para consolidar a identidade da nova República e afirmar a sua rutura com o passado monárquico.

Bandeira

A bandeira portuguesa foi oficializada em 1911, refletindo a mudança da monarquia para a república. Com fundo verde e vermelho, exibe o escudo nacional sobre a esfera armilar, símbolos da identidade e conquistas do país. Representa a independência, a história marítima e o espírito patriótico português crida por um comissão contratada pela a Republica em 1910 tendo composta por Columbano Bordalo Pinheiro, João Chagas e Abel Botelho. O pintor Columbano Bordalo Pinheiro foi o principal responsável pela conceção visual da bandeira, definindo as suas cores e símbolos.

Hino

"A Portuguesa" foi adotado como hino nacional em 1911, após a implantação da República. Com letra de Henrique Lopes de Mendonça e música de Alfredo Keil, exalta o patriotismo e a luta contra a opressão, inspirada no sentimento nacionalista após o Ultimato Britânico de 1890 sendo já cantada antes da implementação da República em bares e até sendo proibida de ser cantada pela a monarquia por representar um forte espírito revolucionário e republicano. A sua popularidade cresceu entre o povo, tornando-se um símbolo de resistência contra a monarquia e, mais tarde, um marco da identidade nacional após a proclamação da República.


Primeira Republica

A Primeira República caracterizou-se por um período de grande instabilidade. Em apenas 16 anos, Portugal teve mais de 40 governos diferentes, o que impediu a implementação de reformas eficazes. A economia estava debilitada, agravada pela participação do país na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), que resultou em graves perdas humanas e económicas. A crise financeira, o descontentamento popular e os sucessivos golpes militares criaram um ambiente de caos político. Em 28 de maio de 1926, um golpe militar derrubou o governo republicano e instaurou uma ditadura militar, que viria a preparar o caminho para um regime autoritário e a  reeleição de Óscar Carmona  em 25 de março de 1928.

Todos os Presidentes da Primeira Republica (1911-1926)

Ditadura Militar (1926-1933)

A Ditadura Militar iniciou-se com a suspensão da Constituição e a censura da imprensa. O governo passou a ser controlado pelos militares, que procuravam estabilizar o país, mas sem apresentar um projeto claro de governo. Tendo levado ao descontentamento dos partidos que unidos enviaram uma declaração conjunta a mostrar o seu descontentamento as maiores potencias económicas da época (Estados Unidos, Inglaterra e França) em janeiro de 1927, os responsáveis foram exilados em Cabo Verde mostrando que a repressão era uma estratégia central do regime para silenciar a oposição e manter o controle sobre o país. Neste período, emergiu a figura de António de Oliveira Salazar, um professor universitário que assumiu a pasta das Finanças em 1928. Salazar conseguiu equilibrar as contas do Estado e ganhou grande influência dentro do regime. A Ditadura Militar culminou na criação de uma nova Constituição em 1933, que estabeleceu o Estado Novo, um regime autoritário liderado por Salazar.

Golpe que derrubou o governo (28 de maio de 1926)

Factos Marcantes durante o Regime 

-22 de junho de 1926 é estabelecida a censura à Imprensa. A Polícia Cívica impõe regras de liberdade de expressão aos jornais, facto que se irá manter até ao 25 de abril de 1974

-11 de setembro de 1926 tentativa de revolta em Chaves

-novembro de 1927 Salazar inicia a publicação de uma série de artigos no Novidades, nos quais critica fortemente a política seguida por Sinel de Cordes (General que ocupava o cargo de Ministro das finanças antes de Salazar)

-1 de dezembro de 1927 Manifestação de estudantes em Lisboa contra o regime 

-Aristides de Sousa Mendes é nomeado cônsul em Vigo em Dezembro de 1927

Figuras Marcantes durante a Ditadura Militar de 1926 a 1933

Estado Novo (1933-1974)

Estado Novo ou Segunda Republica Portuguesa foi o um foi um regime marcado pela censura, repressão política e falta de liberdade de expressão desde a nova Constituição portuguesa de 1933 com Salazar a assumir o cargo de Chefe de governo mas pelo o seu envelhecimento Marcelo Caetano assume o cargo a 27 de setembro de 1968 tendo o seu fim a 25 de abril de 1974 com a Revolução dos Cravos. 

Presidentes da Republica durante esse período 

Portugal durante a segunda guerra Mundial

O governo português procurou manter uma postura neutra, o que permitiu ao país evitar os horrores do conflito. Salazar valorizava a soberania nacional e tinha receio de que a entrada de Portugal na guerra pudesse desestabilizar o regime. No entanto não parou de manter laços comerciais fortes com potencias dos dois grandes eixos do conflito com a exportação mais importante a vende de volfrâmio utilizado para armas munições e componentes para veículos militares.  

Aristides de Sousa Mendes

Aristides de Sousa Mendes foi um diplomata português nascido em 1885, conhecido por sua coragem e humanidade durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1939, enquanto servia como cônsul em Bordéus, França, Sousa Mendes desobedeceu às ordens do governo português e concedeu vistos de entrada a milhares de refugiados, muitos deles judeus, que tentavam escapar da perseguição nazista.

Sua ação heroica permitiu que cerca de 30.000 pessoas, incluindo famílias e indivíduos em perigo, encontrassem segurança em Portugal e, posteriormente, em outros países. Apesar de suas boas intenções, Sousa Mendes enfrentou severas consequências por suas decisões, incluindo a demissão e a ostracização pelo governo português.

Após a guerra, ele viveu na pobreza e sem o seu merecido reconhecimento em vida até falecer em 1954. Nos anos seguintes, seu legado foi reconhecido, e ele foi homenageado por várias instituições, incluindo Yad Vashem, que o reconheceu como Justo entre as Nações. A história de Aristides de Sousa Mendes destaca a importância da compaixão e da coragem em tempos de crise, não tem muito haver com o tema mas foi uma menção honrosa.

Busto de Aristides de Sousa Mendes em Bordéus
Busto de Aristides de Sousa Mendes em Bordéus

Personagens Marcantes durante esse Período

Guerra Colonial (1961-1974)


 A luta pela independência das colónias africanas começou em 1961, com conflitos armados em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau. Portugal recusava conceder independência e investiu muitos recursos na guerra, gerando elevado custo económico e social. O conflito prolongado gerou descontentamento dentro das forças armadas e entre a população, contribuindo para a queda do regime em 25 de abril de 1974 e a Independia das colonias envolvidas e de Cabo Verde e São Tomé e Príncipe no ano seguinte. 

Revolução dos Cravos (25 de abril)

Na madrugada de 25 de abril, um grupo de militares, conhecido como o Movimento das Forças Armadas MFA, lançou um golpe de Estado pacífico, contando com o apoio de grande parte da população. O sinal de união e resistência foi o uso de cravos vermelhos, que se tornaram o símbolo da revolução, ao serem colocados nos canos das armas pelos soldados. O golpe de 25 de abril resultou na queda do regime, na prisão de Marcello Caetano e no início de um processo de democratização em Portugal, com a assinatura de uma nova constituição em 1976 e a realização das primeiras eleições livres. O 25 de abril de 1974 é, até hoje, comemorado como um marco de liberdade e mudança no país.  

Recuperação Económica e Atualidade ( 1975-Atualidade)

Os primeiros anos do século XXI foram de crescimento, mas a crise económica de 2008 abalou Portugal. Em 2011, o país solicitou um resgate financeiro à Troika, implementando medidas de austeridade. O desemprego aumentou, e a população enfrentou dificuldades económicas, mas no final de 2015, a economia começou a recuperar. Nos últimos anos, Portugal recuperou economicamente, impulsionado pelo turismo e pelo setor tecnológico. No entanto, desafios como a crise da habitação, o envelhecimento da população e a transição energética continuam a marcar a atualidade. O futuro da República dependerá da capacidade de enfrentar estas questões e garantir um crescimento sustentável e inclusivo.

Presidentes e Primeiros Ministro durante esse Período

Políticos Marcante durante esse período 

Contacto

Ricardo Miguel Filipe Quaresma nº15 11J

Morada:

República Portuguesa: Da Implantação à Atualidade

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